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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Doença coronariana desafia humanidade, pelo menos, desde o antigo Egito


Meses atrás uma princesa egípcia, que viveu há cerca de 3.500 anos foi a estrela da Conferência Internacional de Imagem Cardiovascular, realizada em Amsterdã, na Holanda. Ahmose-Meryet-Amon fora submetida a uma tomografia computadorizada, que identificou – finalmente e com precisão sua causa mortis. A filha do último faraó da 17a dinastia do Antigo Egito, morreu com pouco mais de 40 anos vítima de aterosclerose. Duas de suas trê sartérias coronárias principais haviam se estreitado. Mais uma vez entrou para a história. A primeira por sua origem nobre e por mumificada estar até hoje entre nós e, dessa vez, por ser a primeira pessoa da história diagnosticada com doença cardíaca. Segundo o pesquisador Gregory Thomas, da Universidade da Califórnia, as imagens revelam que havia bloqueio de grande parte das artérias. Para ele, se vivesse hoje a princesa seria submetida a uma operação de safena. O estudo envolveu 52 múmias da Universidade de Cairo, das quais, 44 apresentaram as artérias obstruídas. Em 20 delas, mortas em torno dos 45 anos de idade, foi identificada aterosclerose. A identificação da doença suscitou debates em torno de um ponto misterioso e difícil de ser solucionados após 3,5 mil anos. O que teria provocado a aterosclerose? É um consenso de que a alimentação da época era saudável, rica em frutas e verduras e sem produtos industrializados. Além disso, a carne era para poucos. Uma linha adotada seria a de excesso de sal utilizado para conservação dos alimentos e até a possibilidade de serem consequência de infecções parasitárias. Sem descartar o fator genético, uma vez que havia múmias que eram de parentes. As teorias se sucederam sem que se chegasse a uma conclusão, mas – pelo menos- se obteve o consenso de que o problema de entupimento das artérias não é um mal moderno. Assim como também são de longa data doenças como a leishmaniose, a malária ou a dengue, que acompanham a humanidade ao longo do tempo sem que se consiga derrotá-las. Essas doenças, chamadas de “negligenciadas”, matam milhões de pessoas mundo afora. Todos aguardamos, ansiosos, os estudos conduzidos pelo mundo, inclusive aqui no Brasil e já em estado avançado para solução do problema. Há uma expectativa de que em até dez anos surjam vacinas contra essas doenças, segundo o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas, órgão que reúne os mais habilitados pesquisadores do país (Fiocruz, UFRJ, USP e UFMG). Já há testes em primatas e a etapa seguinte envolve humanos. Vamos torcer para que esses estudos avancem, que preservemos milhões de vidas em todo o planeta e que daqui há 3,5 mil anos não haja pesquisadores identificando essas doenças como causa mortis de nossa população.

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